Começando do fim.

Bom, eu havia pensando em começar postando a primeira poesia que fiz na vida, mas me deparei com dois problemas. Primeiro que ela é bem bobinha, e segundo que não a estou encontrando no computador. Sendo assim, para continuar dentro um critério cronológico, resolvi partir de frente para trás, e postar os dois últimos trabalhos que fiz. São tão bobos quanto a tal da primeira poesia, eu confesso, mas pelo menos estão mais fáceis de achar.
Em um curso de produção de texto que participei na última semana (um dos grandes incentivos para eu criar esse blog), o professor passava algumas tarefas de casa. Uma delas pedia uma crônica sobre velhice, o que me fez escrever sobre mim mesmo, e a outra um soneto sobre sexo, que acabei escrevendo no chacoalhar ritmado de dentro do ônibus, perdido a noite pela cidade. Ei-los:




Mini crônica de um novo velho.

Dizem que a velhice está na cabeça, e é justamente isso que me amedronta. É que semana passada encontrei meu primeiro fio de cabelo branco. No peito há tempos haviam vários, mas estavam ali, discretos, escondidos por baixo da blusa. Já na cabeça não tem jeito de disfarçar. Até porque pega mal um coroa ficar usando boné.

Dizem ainda que na minha idade, 30, os homens costumam entrar em crise existencial. Um tal de Balzac tentou explicar os motivos. Algo assim. Não entendo muito sobre isso, mas esse Balzac e o Prozac terem o mesmo sufixo não deve ser por acaso.

Dizem, por fim, que a vida inicia aos 40. Se for assim, ainda me restam 10 anos antes de nascer. O que fazer até lá? Eu, sinceramente, não sei, mas desconfio que ir, o quanto antes, testando tinturas de cabelo, já seja um bom começo.




Soneto do Sexo

Um hálito que me envolve quente
Um toque que me queima a carne
Uma boca que me crava o dente
Uma unha que minha pele parte.

Um desejo que se faz urgente
Uma chama que no corpo arde
Um cheiro que meu faro sente
Uma Vênus que se entrega a Marte.

Chega manso, suave, de jeito
Teu corpo todo, teu beijo
Me conquista e me invade

Teu sexo, é assim que o vejo
Quando em teu colo adormeço
Sonhando pra que nunca acabe.

2 comentários:

Anónimo disse...

Nossa! um poeta... q eu nem sabia q existia... dorei seus devaneios...

Sandra Costa disse...

esse "soneto do sexo" foi uma das coisas mais delicadas sobre o sexo que tenho lido ultimamente. muito bom de ler, assim como a crônica.
continue... escreva mais..